O valor do lúdico (e da meleca!)

Atualizado: 28 de Out de 2018




Olá! Eu sou a Renata Ungier, fisioterapeuta e autora do livro Como ser uma Onda.

Hoje vivenciei uma experiência linda, na Kiné (minha clínica de fisioterapia). Recebi a visita de uma menina de 7 anos, super esperta, com excelente desenvolvimento cognitivo, muito madura e concentrada. A mãe me procurou porque acreditava que ela apresentava dificuldades motoras... De fato, seu repertório de movimento se mostrava um pouco empobrecido. Fomos descobrindo, porém, que o que acontecia era uma falta de interesse pela motricidade, o espaço do prazer era ocupado pela atividade mental, pelo raciocínio, pelo mundo cognitivo.

Nós brincamos muito com as ondas, de diversas formas. Na maior parte do tempo, ela buscou compreender racionalmente os significados, tentou encontrar as "respostas certas". Mas houve momentos de riso, de brilho nos olhos, e foi aí que a mágica aconteceu.

Nossa protagonista tem um irmão gêmeo, que achou muito interessante essa história das ondas de movimento. Craque do futebol, o goleirinho intuiu que, para realizar uma defesa, ele precisa se abaixar, depois se esticar muito, então pular para agarrar a bola. Sugeriu que a irmã "treinasse" junto com ele. Pronto! Estava inventada uma nova página para o livro, uma nova onda, surgida espontaneamente da criatividade desta dupla.

O melhor veio em seguida: eles imaginaram a sequência mais inusitada... Tirar a meleca, enrolar a meleca, esticar a meleca, depois dar um peteleco na meleca, que voa longe! Sensacional! Levando em conta o relato da mãe, de que se tratava de uma criança, por vezes, excessivamente séria, a perspectiva de abrir as portas para o engraçado, o inesperado, o inusitado... é um passo e tanto. A partir daí, dá para brincar de "ser a meleca", um irmão pode enrolar, esticar e petelecar o outro, os dois alternando-se nos papéis de "meleca" e "tirador de meleca", assim como nos papéis de bola e goleiro, tudo misturado com o caracol, a girafa, a borboleta, o cavalo marinho, o pião, o foguete...




A proposta do livro é ser um objeto inspirador, um elemento deflagrador de múltiplas experiências. É possível criar figuras e ondas inteiramente novas, cada criança pode produzir seu livro inédito. Cada um vai construir, em si, sua própria onda. Foi muito gratificante ouvir, desta mãe, que ela percebeu ser necessário redescobrir o caminho do lúdico com a filha, e que é preciso trabalhar esse lúdico também em si mesma. Afinal, a criança interior de todos nós está sempre pedindo para ser ouvida e alimentada. É maravilhoso ter a oportunidade de despertar essa percepção e colher os frutos, da melhor maneira possível: vivenciando momentos de afeto, contato, diversão e aprendizado junto aos filhos.



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© Como ser uma onda // 2019 // Rio de Janeiro

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