Oficina na Escola Eleva Botafogo

Atualizado: Abr 2

Um dos momentos mais especiais de 2019, para nós, foi a oficina que realizamos, em setembro, na Escola Eleva - Botafogo. O projeto Como ser uma onda pretende ampliar o olhar sobre o desenvolvimento infantil, dentro do ambiente escolar, a partir da noção de que a organização do corpo é continente para a construção do psiquismo, da personalidade, enfim, para a organização do indivíduo em sua globalidade. Nossa proposta encontrou um evidente alinhamento com os princípios pedagógicos e socioemocionais praticados na Eleva. Encontramos um terreno fértil para trocas junto à maravilhosa equipe da Educação Infantil, e o trabalho foi muito enriquecedor.



Em uma manhã de atividades, os alunos do Infantil 5 tiveram a oportunidade de vivenciar uma Onda de Consciência. Os três pilares de estruturação do corpo e da personalidade, na Onda do crescimento, estavam representados na configuração do ambiente, dividido em três “estações”, nas três cores correspondentes.





As crianças entravam na sala pela cabana amarela do afeto, do calor humano, do mundo sensorial, da contenção, dos limites corporais, da calma, do acolhimento, do silêncio. Em seguida, passavam pelo espaço vermelho da contação de histórias, onde o estímulo era para a fantasia, a magia, a ludicidade, a imaginação, a ritmicidade do corpo e das emoções, o enriquecimento do mundo simbólico. Finalmente, na terceira etapa, encontravam a área roxa da cognição, do pensamento lógico, da construção do raciocínio. Era a hora de compreender o funcionamento das ondas, de produzir um objeto concreto e palpável (ainda que repleto de ludicidade, pois este aspecto não pode estar desvinculado de nenhuma etapa durante a infância, embora seja mais evidente na fase “vermelha").


A experiência da cabana amarela trouxe calma, conforto, aconchego e centramento. Foi interessante observar como o barulho ia progressivamente diminuindo, depois do alvoroço de cada grupo que chegava. As crianças trocavam os bichinhos de pelúcia entre si, dividiam, se respeitavam. Deitavam, se enroscavam, se aqueciam nos cobertores. Essa experiência está vinculada ao calor do colo, do abraço, do útero, e pretende dar a cada um a sensação de contorno e contenção. Um bom exemplo do que foi transmitido na vivência foi a fala de um menino sobre os bichos de pelúcia: “Tati, você sabia que esses bichinhos são pequenos, mas têm um coração enorme?”. E também a manifestação de uma menina que disse estar “quase emocionada" de tão feliz.





A passagem prévia pela cabana amarela teve um reflexo direto sobre a qualidade de atenção demostrada na contação de histórias. As expressões de curiosidade e reflexão revelavam o despertar da imaginação e da fantasia, próprios desta estação. Todos se mostraram ávidos por interagir com o cenário e personagens, sobretudo com a concha do caracol, que sempre levavam ao ouvido. Ao ser indagado se era possível escutar as histórias de Lemni, o caracol, dentro da concha, um menino respondeu, admirado, que “sim, mas elas estavam na língua da onda!”. A cada vez que Renata Ungier dizia “E fim!”, uma sensação de suspensão: boquinhas abertas, olhares pensativos e alguns instantes de silêncio. Então, eles “aterrissavam" e eram encaminhados à próxima etapa.





Da fantasia para a cognição, as crianças chegavam à estação roxa prontas para a ação. O tracejado das ondas impressas instigou alguns a fazerem contornos, começando pelas próprias ondas. Outros preferiram colar adesivos. Alguns quiseram desenhar livremente. Desenharam personagens da história contada, como o leão Vitrúvio e o caracol Lemni, que foram os preferidos. Alguns desenharam o movimento de cada personagem, como o rastro do caracol, o pulo do leão e o movimento circular ascendente do pião.




Muitos, ao observarem as ondas desenhadas, fizeram comparações entre os personagens do livro, identificando os que ocupavam os mesmos lugares na onda e percebendo suas cores e posturas.

"- Já sei! O urso é o Lemni, o pião a Estrela e a nave o Leão!” - diziam.

Eles exploraram as cores predominantes em cada etapa e descobriram que os personagens amarelados no oco da onda gostam de dar cambalhota e se enrolar; os avermelhados são compridos e sonham; e os roxos saltam e se lançam "lá de cima da onda”. Surgiram mares e céus, por onde nadaram e voaram famílias de borboletas, meninas e ondas.





Ao final do percurso, foi solicitado que escolhessem um dos três cartazes - representando as três estações - posicionados na parede de saída da sala, para colarem as etiquetas com seus nomes. A observação e o resultado dessa atividade de fechamento nos permitiu chegar a conclusões bastante interessantes sobre o aproveitamento da oficina.





Foi notável, ainda, a apreensão do encadeamento entre as etapas. Isso se revela, por exemplo, na afirmação de um menino que, na passagem da história para os desenhos, disse saber "o que essas ondas querem dizer: passado, presente e futuro”.

Quanta profundidade e perspicácia na absorção dos elementos apresentados… Surpreendente e gratificante!

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© Como ser uma onda // 2019 // Rio de Janeiro

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